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Maria Angélica Melendi, Altar em Tepito, México, DF
Lais Myrrha, Fachada subtraída / nº 02, 2004-2008
Alice Costa Souza, Urgências do Presente
Sávio Reale, s/t
Douglas Pego, Tentativa Músculo, 2010
João Castilho, Aqui tudo, 2007
Douglas Pego, Para Ver Vazia, 2009
João Castilho, Redemunho, 2006
Alice Costa Souza, Candelária, 2012
Hélio Nunes, Ordenação empilhativa de “Liberdade – o homem nasceu para pensar”, 2012 [1962]

Rito de Passagem: O beijo, 2010

Lucas Delfino, Rito de Passagem: O beijo, 2010

Num entardecer de sexta-feira percorrer o corredor da Estação Central do metrô de Belo Horizonte carregando um jarro de água, um recipiente com tinta vermelha e um tapete de arabescos. Lentamente e em intervalos, estender o tapete, tirar os sapatos, debruçar-se sobre uma parede do corredor, limpá-la com um tecido embebido em água, pintar os lábios de vermelho e marcar a parede com um beijo. Essa ação é uma reminiscência do flagrante de judeus beijando o Muro das Lamentações em Jerusalém, assim como o da prostração de muçulmanos em tapetes interrompendo o fluxo de pedestres em uma ruela da Cidade Velha.

Ao fim da ação, uma das paredes do corredor do metrô exibe a marca de beijos vermelhos na azulejaria branca e asséptica de seu comprimento, escancarando a fraude de uma encenação religiosa e servindo desde então para devaneios de romance.

Essa ação foi elaborada para o Disseminação V, no dia 3 de dezembro de 2010.